O cansaço está matando a inovação nas empresas
Na corrida pela maximização dos lucros, o cansaço está matando a inovação. Muitas empresas têm exigido mais de seus funcionários, levando-os ao esgotamento físico e mental. Essa rotina frenética, com prazos apertados e longas horas de trabalho, acaba minando o potencial criativo e inovador das equipes, comprometendo a produtividade e a sobrevivência dos negócios. Esse comportamento pode ser perigoso e, na verdade, pode estar colocando em risco a própria sobrevivência do negócio. Afinal, o cansaço físico e mental afeta diretamente a capacidade de inovar, um dos maiores diferenciais competitivos das empresas na atualidade. Como o Cansaço está Matando a Inovação A rotina de trabalho atual é extremamente exigente, fazendo com que os funcionários durmam menos e descansem menos, o que, por consequência, leva a um esgotamento mental e físico. Esse cansaço excessivo prejudica significativamente a criatividade, a memória e a capacidade de tomar decisões acertadas. Além disso, pode aumentar o número de acidentes de trabalho, abrir portas para doenças físicas e psicológicas e até mesmo provocar comportamentos antiéticos. Esses malefícios do cansaço têm um alto custo para as empresas, conforme revelado por um estudo que apontou que as companhias americanas perdem 63,2 bilhões de dólares devido aos problemas relacionados à fadiga. O Brasil também enfrenta desafios na produtividade, com um crescimento anual bastante modesto. Diversos fatores podem explicar essa estagnação, e um deles é justamente o desgaste dos funcionários. Para maximizar os lucros, muitas empresas reduzem o tamanho das equipes e sobrecarregam os colaboradores remanescentes, o que, no final das contas, resulta em queda de produtividade e aumenta os custos com folha de pagamento. O Cansaço e a Inovação na Liderança O cenário é ainda mais complexo quando se consideram os profissionais mais qualificados, que tendem a enfrentar uma rotina de trabalho ainda mais exigente. Aqueles com maior nível de escolaridade e experiência no currículo frequentemente carregam uma carga de trabalho intensa, limitando suas oportunidades de pensar em inovações e melhorias no ambiente corporativo. Uma pesquisa piloto do IBGE revelou que as pessoas com maior escolaridade trabalham mais horas por dia, chegando até a ficar conectadas ao trabalho por longos períodos nos fins de semana. A carga horária excessiva e a falta de tempo livre para relaxar e refletir comprometem o bem-estar e a qualidade do sono, afetando negativamente a produtividade e a criatividade dos funcionários. Leia mais sobre o Papel da Liderança. Os Impactos do Cansaço Segundo a Neurociência Nossa CEO e palestrante, a neurocientista Profª. Drª. Carla Tieppo, a rotina de trabalho intensa tem impactos diretos sob a inibição do lado esquerdo do cérebro, hemisfério responsável pela linguagem semântica. Dessa forma, o ambiente corporativo acaba se tornando hostil para o desenvolvimento de novas ideias e inovações. “Com menos tempo e liberdade para pensar de forma mais profunda, as pessoas acabam agindo mecanicamente, sem enxergar novas possibilidades ou fazer associações criativas”. O impacto do cansaço e do esgotamento mental é generalizado e não se limita a um grupo específico de profissionais. Ele tende a atingir principalmente aqueles que possuem mais responsabilidades e maior nível de qualificação. Isso acontece porque tais colaboradores, apesar de seu potencial criativo, são sobrecarregados com um volume excessivo de tarefas, o que limita drasticamente suas oportunidades de inovar e contribuir de forma significativa para o crescimento da empresa. O Espaço Físico Reflete na Inovação Algumas empresas têm demonstrado conscientização sobre os impactos negativos dessa rotina exaustiva e têm tomado medidas para transformar o ambiente de trabalho e incentivar a inovação. A principal forma de anular os efeitos do cansaço é melhorar a rotina corporativa, buscando estabilizar o ambiente e proporcionar aos funcionários um espaço mais tranquilo e estável. Afinal, quando o ambiente é mais favorável e estável, as pessoas se sentem mais à vontade para pensar e produzir. Uma boa estratégia é o fomento de ações integrativas para equipe, pensando em espaços que estimulem a criatividade e bem estar – a neuroarquitetura pode ajudar a desenvolver esses ambientes. Dessa forma, esse espaço pode servir como um ambiente propício para o exercício da criatividade, a troca de ideias e a resolução de problemas. Grandes empresas, após adoção desses espaços, conseguiram lançar novos produtos no mercado em um curto espaço de tempo, envolvendo exclusivamente sua equipe interna. Leia mais sobre o que é Neuroarquitetura? Matando o Cansaço e Fomentando uma Cultura de Inovação Pouco se pensa sobre a importância do espaço físico da empresa, como fator indispensável para proporcionar ambientes adequados e agradáveis para o trabalho. No entanto, é preciso tomar cuidado para não cair na armadilha de adotar modismos estéticos sem considerar a funcionalidade do espaço. Ao contrário do que se imagina escritórios abertos, por exemplo, podem ser fonte de distrações e reduzir a produtividade dos funcionários. Nesse sentido, é fundamental oferecer espaços para concentração e privacidade, onde as ideias possam fluir livremente. É fundamental que as empresas compreendam a importância de investir no bem-estar e na saúde mental de seus funcionários, pois esses aspectos são cruciais para o desenvolvimento da criatividade e da inovação. O cansaço excessivo mina a capacidade de pensar fora da caixa e encontrar soluções inovadoras para os desafios enfrentados no ambiente corporativo. Portanto, é responsabilidade das lideranças proporcionar um ambiente de trabalho mais equilibrado, estimulante e saudável. Ao promover uma cultura que valorize o descanso, a desconexão e o espaço para a criatividade, as empresas poderão colher os frutos da inovação e se destacar em um mercado cada vez mais competitivo. Afinal, equipes revigoradas e motivadas são o verdadeiro motor por trás do sucesso e da sustentabilidade dos negócios no longo prazo.
Aprendizado por Reforço: Impulsione o Desempenho de sua Equipe
Aprendizado por Reforço pode ser uma ferramenta poderosa para os líderes na criação de um ambiente onde os colaboradores se sintam motivados, engajados e satisfeitos. À medida que nos aprofundamos no estudo da neurociência, continuaremos a descobrir maneiras cada vez mais eficazes de moldar o futuro das organizações e, ao mesmo tempo, melhorar a qualidade de vida de todos os envolvidos alcançando, assim, o melhor desempenho possível em suas atividades profissionais. O aprendizado contínuo é um processo crucial para manter o desenvolvimento e adaptação de empresas em um cenário de constante mudanças. À medida que avançamos em um mundo empresarial cada vez mais competitivo, os conhecimentos da neurociência tornam-se crucias para o sucesso e o crescimento. Dessa forma, é fundamental compreender como nossa mente funciona e aplicar esse conhecimento no desenvolvimento de programas de treinamentos que mantenham a motivação dos colaboradores. O que te trazemos hoje é que pequenas surpresas podem ser a chave para desbloquear o potencial máximo dos funcionários e incentivar o aprendizado contínuo. Aprendizado por Reforço: O Motor que Dirige Nossas Ações Uma característica que pode passar despercebida por muitas pessoas é que nossos cérebros são dispositivos altamente influenciados por padrões. Isso significa que, através de um processo estatístico, o cérebro gera continuamente estimativas atualizadas do estado atual do mundo. E que surpresa! Este é exatamente o mesmo processo algorítmico utilizado pelas ferramentas de aprendizado de máquina que tanto revolucionam os negócios. Trata-se de um algoritmo tão importante que guia o comportamento de todos os animais do planeta e também é aplicado no suporte à publicidade personalizada online, carros autônomos e drones. O nome dado a esse processo é Aprendizado por Reforço, e consiste em comparar previsões sobre os acontecimentos e o que realmente aconteceu. Mas não fica apenas nisso. O ponto central do Aprendizado por Reforço é o que chamamos de “erro de previsão de recompensa”, ou seja, o tamanho da diferença entre a previsão e o acontecimento em si. Esse é o motor de aprendizado que molda quase todos os aspectos de nosso comportamento, muitas vezes de maneiras sutis, mas detectáveis, das quais nem estamos cientes. Para compreender um pouco mais sobre esse processo, precisamos então entender o que a magnitude do erro de previsão significa. Quando temos um erro de previsão grande, significa que o “mundo está muito melhor do que o esperado”. Por outro lado, quando são pequenos, o “mundo está mais ou menos como previsto”. Mas, e quando são zero? Bem, neste caso, interpretamos o mundo como totalmente previsto e não há nada a aprender. O Aprendizado por Reforço é Guiado pela Dopamina A primeira coisa que vem à mente da maioria das pessoas quando se fala em dopamina é o “neurotransmissor do prazer”. Mas esta é uma associação equivocada. Na verdade, a dopamina está envolvida na motivação, não nas recompensas em si, e é fundamental para o reforço de aprendizado. Nesse sentido, liberamos dopamina quando há um descompasso positivo entre o que você esperava e o que aconteceu. Ou seja, quando experienciamos um erro de previsão de recompensa alto. Assim, a dopamina sinaliza, por assim dizer, as recompensas que estão por vir, e qualquer estímulo que antecede um resultado surpreendentemente bom gera esse descompasso positivo, prevendo que o mundo está prestes a ficar muito melhor e marcando o comportamento associado a aquela recompensa como algo a se repetir. É disso que advém o papel poderoso da dopamina na aprendizagem. Em doenças que afetam diretamente o sistema dopaminérgico, como o Parkinson, observamos, além de alterações motoras, prejuízos na aprendizagem e tomada de decisões. Essas evidências corroboram para a importância deste neurotransmissor como “motor” de Aprendizado por Reforço. Um tipo de aprendizado tão poderoso que pode mudar nossas próprias personalidades. Leia mais sobre Neurociência do Mudança E como os líderes podem usar o Aprendizado por Recompensa? Você já deve ter notado que quando está de bom humor, é mais propenso a cometer erros de previsão positivos: você espera um resultado positivo, mesmo sabendo que a chance para isso seja pequena. Uma implicação direta desse processo é que podemos direcionar nossas ações de forma a tornar mais fácil criar erros de previsão positivos, o que leva a breves explosões de dopamina que fazem o mundo parecer um pouco mais brilhante do que antes. Para começar, seus funcionários e clientes nem sempre responderão racionalmente às informações que lhes forem fornecidas. O poderoso motor de aprendizado por reforço em seus cérebros está sempre ativo, moldando sutilmente hábitos, motivando a adoção de riscos ou a aversão a eles e influenciando a felicidade. No entanto, você pode aproveitar esse motor ao elogiar frequentemente seus funcionários por pequenas conquistas no trabalho. Pesquisas apontam que funcionários que foram elogiados mostraram uma produtividade de 10% a 20% maior na semana posterior. Por outro lado, aqueles que não receberam elogios disseram que tinham três vezes mais chances de sair da empresa no próximo ano. Mas é preciso ressaltar que o elogio precisa ser surpreendente para ser eficaz, ou seja, um erro positivo de previsão de recompensa, e, claro, quando é sincero e autêntico. E o melhor de tudo, o reconhecimento por um trabalho bem-feito não custa absolutamente nada. Leia mais sobre o Potencial da Neurociência para os Negócios.
Potencial da Neurociência para Impulsionar Negócios
O avanço científico sempre impulsionou o desenvolvimento de ferramentas inovadoras que revolucionaram os negócios. Agora, uma nova ciência surge como um motor de transformação para pessoas e corporações. Neste texto, mergulharemos nas aplicações práticas da neurociência, investigando como ela está moldando a gestão de recursos humanos, estratégias de marketing e o desenvolvimento de novos mercados. Confira o potencial da neurociência para impulsionar negócios. Avanços tecnológicos e seu impacto nos diversos setores Um dos setores que mais se desenvolveram como avanço da tecnologia foi a meteorologia. Como o clima é um sistema complexo, a habilidade de combinar seus diferentes elementos e extrair dessa combinação a certeza de que vai chover hoje é uma das tarefas mais árduas e da maior importância para as mais diferentes aplicações econômicas e sociais. Porém, a criação de algoritmos melhores, equipamentos mais sensíveis, maior capacidade de comunicação veloz e em larga escala, somados ao desenvolvimento de processadores de dados muito potentes, têm aliviado a vida dos meteorologistas. O Sistema Nervoso Humano e seus 86 Bilhões de Processadores Outro sistema muito complexo também teve seus estudos beneficiados pelos incrementos tecnológicos. Dotado de 86 bilhões de microprocessadores, os famosos neurônios, o sistema nervoso humano é o responsável por nossas percepções, emoções, comportamentos e pensamentos. E para o estudo do funcionamento desse sistema, a tecnologia foi tão ou mais fundamental que para o estudo do clima. Já é possível, para um computador ligado a um aparelho de eletroencefalograma bem potente (que capta ondas cerebrais), saber em qual palavra um indivíduo está pensando, se o computador puder escolher entre duas opções. Porém, não precisamos nos sentir num filme de ficção científica para nos beneficiarmos da tecnologia aplicada ao estudo do cérebro. A Era de Ouro da Neurociência e seus Benefícios em Diferentes Setores Já estamos vivendo o que se considera a era de ouro da neurociência. E nessa era, que está sendo comparada à industrial, uma vez que parece ter a mesma força transformadora, muitos setores deverão aproveitar seus avanços. Alguns desses avanços são óbvios: as doenças neurológicas e psiquiátricas já estão sendo tratadas com muito mais eficiência. Recentemente, aqui no Brasil, acompanhamos um paraplégico levantar-se da cadeira de roda e chutar uma bola durante a festa de abertura da Copa do Mundo, usando o próprio cérebro para comandar uma espécie de armadura de ferro. Porém, outros setores também começam a se beneficiar diretamente desses progressos. Estratégias de marketing estão sendo avaliadas pelo estudo das funções cerebrais em voluntários monitorados enquanto assistem a uma propaganda. Escolas estão ouvindo neurocientistas apresentarem seus resultados sobre pesquisas que investigam como o cérebro aprende. Potencial da Neurociência para Impulsionar Negócios No mundo corporativo, várias descobertas da neurociência estão sendo empregadas na automação e no desenvolvimento de novos mercados e produtos. Surgem novos neuronegócios (neurobusiness) todos os dias, e a mídia está repleta de novas informações sobre as descobertas relacionadas ao cérebro. Um dos setores que mais podem se beneficiar dessa nova era é a gestão de recursos humanos. Nas corporações, esse parece ser um dos pontos mais frágeis e imponderáveis do planejamento estratégico. Para desenvolvermos processos que irão certamente trazer resultados, basta desenvolver estudos técnicos e acertar nas fórmulas. Porém, como a aplicação desses procedimentos depende de pessoas, e pessoas são sistemas complexos em interação (o que aumenta grandemente o grau de complexidade envolvido), toda ajuda para administrar isso é muito bem-vinda. A Fragilidade da Gestão de Pessoas e a Potência da Neurociência Todos sabem que pessoas que não estão engajadas, que não estão preparadas ou que não sabem se comunicar podem acabar com projetos muito bem desenhados. Assim, a gestão de pessoas é literalmente uma fragilidade do sistema. E mesmo que os gestores saibam disso, os investimentos no desenvolvimento de um setor de Recursos Humanos muito capacitado para executar todas as suas funções com competência nem sempre são prioritários. A razão pode estar no fato de que os resultados são difíceis de mensurar e sempre dependem de prazos maiores. Mas para gerir é preciso conhecer. E a neurociência veio corroborar antigas ideias da psicologia, da sociologia, da filosofia e da antropologia e acrescentar novas formas de ver para ampliar esse conhecimento. Mas há mais do que isso. Ela permite que sejam desenvolvidas estratégias mais eficientes para mensurar resultados na aquisição de habilidades emocionais, por exemplo. Ampliando o Conhecimento da Neurociência na Gestão de Recursos Humanos Jovens líderes com capacitação técnica e inovadora altamente desejável podem ter capacidades emocionais desenvolvidas por aplicações neurocientíficas que favorecem o autoconhecimento. Conhecendo os mecanismos neurais relacionados ao estresse, podemos desenvolver técnicas de autocontrole baseadas em achados neurocientíficos. Saber como nosso cérebro desenvolve vícios é o melhor caminho para resistir a mais uma checagem nas redes sociais procrastinando relatórios que já estão com deadlines apertados. E se o setor de Recursos Humanos dominar os conhecimentos da neurociência, será muito mais fácil promover engajamento e eficiência na tomada de decisão por meio de treinamentos diretamente desenvolvidos para promover essas características em seus colaboradores
Neurociência aplicada à liderança
Neurociência aplicada à liderança: Líderes que possuem consciência da flexibilidade e das capacidades de seus cérebros, e que levam em consideração o seu funcionamento, desfrutam de vantagens significativas. Um líder precisa influenciar comportamentos para atingir os objetivos da organização. Mais ainda, nenhum líder consegue inspirar ações se não se conectar de maneira profunda e significativa com os outros. Dessa forma, não deve ser surpresa que grandes líderes sejam sujeitos atenciosos, compreensivos e visionários. Liderança é uma atitude! Desenvolver uma atitude de liderança eficaz é fundamental para o sucesso de qualquer organização. No entanto, essa tarefa nem sempre é simples. A excelente notícia é que a neurociência revela que a liderança é uma atitude composta por pensamentos, sentimentos e comportamentos. Portanto, esses atributos podem surgir naturalmente quando são criadas as condições adequadas, tanto dentro quanto fora das organizações. Uma vez que a liderança é caracterizada como uma atitude, podemos argumentar que ela também é influenciada pelas funções cerebrais. Portanto, liderar em um mundo VUCA (volátil, incerto, complexo e ambíguo) pode ser compreendido como a capacidade de fortalecer e desenvolver as habilidades do cérebro para lidar com situações desafiadoras. Além disso, o líder deve estar atento às necessidades do ambiente em que atua e, especialmente, às necessidades dos seus liderados, reconhecendo a diversidade e a constante mudança presente neles. Desenvolver uma atitude de liderança implica em desenvolver um cérebro antifrágil, capaz de perceber as mudanças e aprender com elas. Quando os líderes têm consciência da flexibilidade e das capacidades do seu cérebro, isso lhes proporciona uma grande vantagem competitiva para liderar projetos e pessoas. Uma atitude de liderança pode ser traduzida para o grupo por meio de um conjunto de comportamentos que inspiram e influenciam, colocando o líder na posição de um modelo a ser seguido. Seu cérebro faz de você um grande líder Esse órgão complexo possui a incrível habilidade de mudar, ser treinado e adaptar-se, graças à neuroplasticidade, o processo pelo qual os neurônios formam novas conexões ou enfraquecem conexões já existentes. Essa propriedade notável do cérebro torna a liderança uma força impulsionadora na criação de organizações melhores para todos, conferindo à liderança a flexibilidade necessária para desenvolver novos comportamentos. Leia mais sobre Comportamento. Ao adotarmos a perspectiva da neurociência sobre a liderança, compreendemos que ela não é um fenômeno estático, no sentido de possuir ou não habilidades de liderança, mas sim um fenômeno dinâmico em constante evolução. Além disso, o papel do líder nas organizações assume um grau maior de complexidade. Precisamos entender a relação entre líder e organização como um sistema adaptativo composto por inúmeros agentes autônomos, que estão envolvidos em comportamentos não lineares, imprevisíveis e emergentes. Liderança baseada no cérebro A neurociência fornece dados essenciais para entender o funcionamento da mente humana, as bases neurais do comportamento e os fundamentos biológicos subjacentes às relações interpessoais entre líderes e liderados. Nossa expertise é fornecer as competências necessárias para que sua organização compreenda o cérebro dos líderes. Desenvolver uma liderança focada no cérebro permitirá que você aumente a consciência sobre si mesmo como líder e compreenda melhor suas limitações e habilidades. Além disso, aumentará sua consciência sobre os outros, compreendendo como tomam decisões e são motivados. Por fim, você ganhará uma maior consciência do contexto em que estamos inseridos, especialmente o contexto VUCA. Ao compreender como a mente humana funciona, os líderes podem obter uma vantagem significativa ao engajar a si mesmos e aos outros na melhoria de seu desempenho. Líderes que modificam seus cérebros inevitavelmente influenciam as mentes daqueles que estão próximos a eles. Seu cérebro é um componente essencial para se tornar um grande líder, e cabe a você permitir que ele desempenhe esse papel. Leia mais sobre Motivação e Intencionalidade Genuína Nossa proposta é fornecer as ferramentas e conhecimentos necessários para que você compreenda e aproveite o poder do cérebro na liderança. Ao cultivar uma abordagem consciente e fundamentada nas descobertas da neurociência, você estará preparado para liderar com eficácia em um mundo em constante mudança.
Intencionalidade Genuína: Explorando a Verdadeira Fonte da Motivação Intrínseca
A intencionalidade genuína vem de dentro. Ela é alimentada pela capacidade de tomar decisões conscientes e agir de acordo com essas decisões, pelo senso de propósito e pela conexão com os valores que nos são caros. Portanto, é hora de repensar a forma como abordamos a motivação no ambiente de trabalho. Ao valorizar e cultivar a intencionalidade genuína, as empresas podem construir equipes mais engajadas, produtivas e felizes. No mundo corporativo, a busca pela motivação é uma constante. As empresas estão sempre em busca de estratégias para impulsionar a produtividade e o engajamento dos colaboradores. Mas, afinal, o que nos motiva verdadeiramente? Enquanto o dinheiro pode ser um fator temporário de motivação, é a intencionalidade genuína que nos impulsiona a alcançar nosso pleno potencial e encontrar realização em nosso trabalho. E, no final das contas, todos saem ganhando: colaboradores, empresas e a sociedade como um todo. Dinheiro como métrica do sucesso Em muitos casos, o dinheiro é visto como uma forma de motivação eficaz. Afinal, ele oferece recompensas tangíveis, como salários mais altos e benefícios financeiros. No entanto, a motivação puramente extrínseca, baseada apenas em recompensas financeiras, pode ter suas limitações. A motivação decorrente de recompensas financeiras pode ajudar a atrair e reter os melhores talentos, no entanto, pagar alguém com uma remuneração mais alta não significa que essa pessoa se tornará mais inteligente e aumentará sua produtividade. Uma remuneração mais alta não torna o trabalho em si mais significativo e interessante. O dinheiro não pode melhorar o conhecimento, habilidades e competências relacionados ao trabalho, a menos que seja investido em treinamento e desenvolvimento. Além disso, outros motivadores poderosos, como o nível de autonomia e o grau de participação na tomada de decisões parecem estar imunes à influência do dinheiro. A intencionalidade genuína A intencionalidade genuína é aquela que vem de dentro, impulsionada pelo senso de propósito e pela conexão com os valores pessoais. Quando estamos engajados em uma atividade que está alinhada com nossas metas pessoais e valores, experimentamos um senso de realização e satisfação intrínseca. Nesse contexto, o dinheiro torna-se apenas um fator secundário. Uma das chaves para cultivar uma intencionalidade genuína é o alinhamento entre os valores pessoais e os valores da empresa. Quando os colaboradores se identificam com os princípios e a missão da organização, eles encontram um propósito maior em seu trabalho. Valores como ética, responsabilidade social, desenvolvimento pessoal e impacto positivo na sociedade podem se tornar poderosos motores de motivação autêntica. Além disso, um ambiente organizacional que valoriza e promove a expressão desses valores cria uma cultura de intencionalidade genuína. Quando os colaboradores sentem que seu trabalho está alinhado com seus valores mais profundos, eles se sentem mais engajados, produtivos e satisfeitos. A motivação no cérebro Estudos e pesquisas têm demonstrado que a intencionalidade genuína, proveniente da capacidade de tomar decisões conscientes e agir de acordo com essas decisões, pode ser ainda mais poderosa e duradoura. Isso ocorre porque ela está relacionada à atividade do sistema de recompensa cerebral, que envolve a liberação de neurotransmissores como a dopamina. Quando agimos de acordo com nossas metas e desejos autênticos, o sistema de recompensa é ativado, resultando em uma sensação de satisfação e motivação intrínseca. Essa conexão entre a ação intencional e a recompensa contribui para a persistência e autenticidade dos comportamentos. Outro aspecto importante é a interação entre a atividade cerebral e os processos emocionais. A intencionalidade genuína envolve estar conectado com as próprias emoções e usá-las como guias para a ação. Estudos indicam que as emoções desempenham um papel crítico na tomada de decisões e na formação de intenções, influenciando a forma como avaliamos diferentes opções e o valor que atribuímos a elas. A região do cérebro chamada amígdala, envolvida no processamento emocional, interage com o córtex pré-frontal e outras regiões para influenciar a intencionalidade e a motivação. Leia mais sobre Emoções e Tomada de Decisão Contrapondo o retorno financeiro à intencionalidade genuína Embora o dinheiro possa ser uma fonte de motivação inicial, sua influência tende a diminuir quando comparada à intencionalidade genuína. A busca por significado, propósito e valores pessoais alinhados aos valores da empresa são fatores fundamentais para cultivar uma motivação verdadeira e duradoura. Ao reconhecer e valorizar a importância da intencionalidade genuína, as organizações podem criar um ambiente estimulante e gratificante para seus colaboradores. Portanto, é essencial que as empresas invistam não apenas em recompensas financeiras, mas também em práticas e políticas que promovam o engajamento, o crescimento pessoal e a conexão com os valores da empresa. Ao fazer isso, elas não só impulsionam o desempenho dos colaboradores, mas também criam uma cultura organizacional sólida, baseada na intencionalidade genuína e no desenvolvimento de um propósito comum.
Zona de Segurança: Como ir Além em Tempos de Incerteza
Zona de segurança, por que evitá-la? Viver com incerteza no ambiente de trabalho pode ter um impacto significativo na saúde das pessoas, tornando-as mais vulneráveis. O cérebro humano é particularmente suscetível à incerteza, e embora o medo possa gerar resultados imediatos, isso geralmente leva ao esgotamento, à rotatividade de funcionários e prejudica o desempenho empresarial. A chave para mudança, portanto, está em transformar a incerteza em oportunidades de aprendizado e crescimento, incentivando os colaboradores a saírem de suas zonas de segurança. Como o cérebro reage à incerteza e cria uma zona de segurança? Quando se trata de incerteza, nosso cérebro é programado para evitá-la a todo custo. A incerteza age como combustível para a preocupação, levando as pessoas a verem ameaças em todos os lugares e reagirem emocionalmente a essas ameaças. De fato, a incapacidade de tolerar a incerteza é uma característica central da maioria dos transtornos de ansiedade. Pesquisadores argumentam que o medo do desconhecido é o medo fundamental experimentado pelos seres humanos, e a capacidade de lidar com períodos de incerteza é uma característica fundamental de uma mente saudável e resiliente. No entanto, a preocupação não ajuda a nos preparar para o que está por vir. Quanto mais nos preocupamos, menos confiantes nos sentimos em resolver problemas e piores são nossas soluções. Estudos mostram que a incerteza perturba os processos mentais automáticos que governam a ação rotineira. Isso cria conflito no cérebro, levando a um estado de hiperatividade e reatividade emocional exagerada diante de experiências negativas. A zona de segurança é o refúgio onde nos sentimos protegidos, confortáveis e livres de riscos. No entanto, é nesse espaço de conforto que a inovação e o crescimento estagnam. Para superar essa barreira, é necessário incentivar as pessoas a se aventurarem além da zona de segurança e desenvolverem resiliência para lidar melhor com a incerteza. Habitando as fronteiras É compreensível que a incerteza gere insegurança. A falta de previsibilidade pode levar ao medo do fracasso, à resistência à mudança e ao bloqueio da criatividade. Nosso cérebro está constantemente no modo de sobrevivência, atualizando nosso mundo e fazendo julgamentos sobre o que é seguro e o que não é. Estamos programados para superestimar ameaças e subestimar nossa capacidade de lidar com elas. Em outras palavras, o cérebro busca certeza e fará de tudo para encontrá-la. Essa superestimação de ameaças tem efeitos negativos em nossa vida pessoal e profissional, uma vez que limita nosso potencial de crescimento. O cérebro humano tem a capacidade de imaginar os piores cenários possíveis, e quanto mais incerteza houver maiores as chances do cérebro imaginar e se fixar nesses cenários. Por outro lado, passar horas preocupando-se apenas fortalece as conexões neurais que apoiam essa atividade. Em outras palavras, a preocupação gera mais preocupação. No entanto, é importante reconhecer que permanecer na zona de segurança é um obstáculo para a inovação e o desenvolvimento. Para crescer, precisamos nos aventurar além dela. Isso significa abraçar a incerteza e estar dispostos a correr riscos calculados. Leia: Por que a insegurança assusta? Rompendo Barreiras da Zona de Segurança O cérebro humano tem uma preferência por conhecer os resultados para aliviar a tensão. Quando não sabemos o que está por vir, nosso cérebro não consegue nos manter longe do perigo. No entanto, ao encorajar as pessoas a explorarem novos territórios, estamos cultivando a criatividade, adaptabilidade e coragem necessárias para prosperar em ambientes em constante mudança. Embora seja natural que nosso cérebro tenha resistência à incerteza, podemos treiná-lo para ser mais resiliente e antifrágil. A antifragilidade é a capacidade de sair mais forte após ser submetido a adversidades e situações incertas. Para neutralizar os efeitos da incerteza, é importante manter uma cultura de feedback, ter uma comunicação efetiva e permanecer engajado no agora. Ao reconhecer a incerteza e desenvolver a antifragilidade, estamos construindo um caminho para o crescimento e a inovação. Embora seja necessário coragem para sair da zona de segurança, é nessa jornada que descobrimos nosso verdadeiro potencial. Desafiando nosso cérebro a lidar com a incerteza, capacitamos a nós mesmos e às equipes a encontrar soluções criativas, adaptar-se rapidamente e prosperar em qualquer cenário Portanto, não permita que a insegurança o impeça de explorar novos horizontes. Invista em treinamentos, workshops e serviços especializados. Podemos ajudá-lo a reconhecer a incerteza como um catalisador para o crescimento e aprender a desenvolver resiliência ao longo dessa jornada. O futuro está além da zona de segurança, e é lá que nos encontraremos.
Quanto menos emoção melhor a decisão?
Será que os seres humanos podem viver, pensar e agir sem emoções? Devemos suprimi-las para nos tornarmos melhores líderes? A neurociência responde a todas estas questões com um enfático “Não”! Por incrível que pareça, a ausência de empatia, remorso e até mesmo bondade são elementos tradicionalmente associados a decisões assertivas. Muitos programas de MBA e empresas valorizam e buscam reforçar um raciocínio frio e calculista em seus profissionais e executivos futuros. No entanto, fica a pergunta: quanto menos emoção melhor a decisão? Descartes estava errado A influência e o legado de Descartes na sistematização do processo científico são admiráveis. No entanto, desde a ascensão da ciência cartesiana, houve um grande erro de interpretação sobre a natureza humana, atribuindo ao processo cognitivo a expressão máxima da experiência humana: “Penso, logo exiso”. A ideia central do racionalismo é que eliminar as emoções, relegando-as aos comportamentos animais, garante um pensamento objetivo. Ainda hoje, expressões como “fique tranquilo” ou “não seja emocional”, entre outras, mostram a atitude depreciativa das sociedades modernas em relação às emoções, dominando o discurso tradicional da ciência e do mundo corporativo. No entanto, a neurociência tem fornecido evidências empíricas de que as emoções são, pelo menos, tão importantes quanto qualquer outra função cerebral na forma como tomamos decisões. Portanto, a divisão estrita entre mente e corpo proposta por Descartes é insuficiente para explicar a complexidade da cognição humana. “Sinto, logo existo”: Antônio Damásio e o erro de Descartes Damásio, médico e neurocientista português, é um dos principais defensores da natureza inseparável da emoção e do comportamento humano. Em seu livro, “O Erro de Descartes” (1994), ele afirma que a redução da emoção, ao contrário do consenso, pode ser uma fonte igualmente importante de comportamento irracional. Em outras palavras, quando a emoção está ausente, observamos uma série de comportamentos aberrantes, evidenciando a dependência da cognição e do raciocínio a um sistema emocional saudável. Dados que corroboram essa observação vêm de estudos com pacientes com lesões no córtex orbitofrontal e outras áreas cerebrais associadas ao processamento emocional. Muitos desses pacientes com danos cerebrais parecem capazes de continuar desempenhando excepcionalmente bem suas tarefas pessoais e profissionais cotidianas. No entanto, seu comportamento revelava-se catastrófico em ambos casos. Isso demonstra que a habilidade de usar emoções na tomada de decisões e no comportamento é tão importante quanto a habilidade de usar a lógica. Quanto menos emoção melhor a decisão. Será? “Desligar” a parte do cérebro relacionada ao processamento emocional ao se tomar decisões de gestão e de negócios não apenas é neurologicamente impossível, uma vez que nosso cérebro está interconectado e depende disso para funcionar, como também pode ser muito perigoso. Em termos evolutivos, as emoções se desenvolveram muito antes da própria espécie humana e desempenharam um papel crucial na tomada de decisões. As partes cerebrais envolvidas nas tarefas executivas, pelas quais nos orgulhamos hoje, foram adicionadas mais recentemente ao nosso sistema nervoso e dependem muito das emoções para conduzir e direcionar as decisões. Assim, as decisões desprovidas de emoção não apenas são equivocadas, mas também podem ser perigosas, pois deixam de levar em consideração um número significativo de informações – a capacidade de ponderar as escolhas diante dos possíveis impactos sobre nós mesmos e os outros. Emoções são veículo para transformação Além de melhorar nossa tomada de decisões, as emoções são importantes na liderança porque são a base da motivação. Raramente pensamos nisso, mas a própria palavra “emoção” implica que as emoções são a base de todos os nossos movimentos (do latim “movere”). Sem as emoções, ficaríamos inativos, sem vontade de fazer qualquer coisa. Tanto as emoções positivas quanto as negativas nos impulsionam a agir, seja para enfrentar uma situação ou para nos afastarmos dela. Os líderes e gestores precisam estar familiarizados com a forma como esses sistemas afetam seu próprio comportamento e o das outras pessoas, se desejam tomar decisões de alto nível. Em resumo, as emoções desempenham um papel fundamental em nossas decisões e comportamentos. A neurociência refuta a ideia de que suprimir ou eliminar as emoções leva a uma melhor tomada de decisões. Pelo contrário, as emoções são parte integrante do nosso ser e desempenham um papel essencial em nossa cognição e comportamento. Entender e abraçar as emoções pode levar a melhores resultados e um ambiente mais saudável e produtivo tanto no âmbito pessoal quanto profissional.
Neurociência aplicada: por que ainda é tão difícil qualificar profissionais no Brasil?
Falar sobre neurociência é falar sobre a vida. Entender o funcionamento do cérebro e tudo aquilo que passa pelo filtro é também compreender o comportamento do ser humano. Apesar de ser um tema complexo, a neurociência vem se destacando no mercado de trabalho com a principal proposta de promover o desenvolvimento de pessoas, mas analisando não apenas a psicologia e sim um conjunto de fatores importantes para o ser humano. No entanto, de acordo com Carla Tieppo, neurocientista respeitada e palestrante sobre diversos temas relacionados à neurociência, existe hoje no Brasil um problema sério com a forma com que os profissionais disseminam a neurociência e como ela deve ser aplicada nas empresas. Como o mercado de trabalho utiliza a neurociência? No Brasil ainda temos pouca neurociência. O conceito da neurociência e a utilização por empresas é utilizado em algumas empresas americanas, britânicas, australianas, em que a neurociência é utilizada pelo RH. O que acontece é que você desenvolve líderes e gestores por autoconhecimento e autogestão, facilitando o desenvolvimento de equipes de trabalho, especialmente quando se fala de tomada de decisões e consumo. O Brasil ainda está muito atrasado quando falamos de neurociência e mercado de trabalho? Um dos maiores problemas é que muitas pessoas começam a se auto-intitular neurocientistas. O conceito não é simples, estamos falando de uma ciência que estuda o cérebro e a vida. Para ter uma formação adequada, é preciso muito mais do que um curso de 30 horas sobre o tema. Eu, por exemplo, estudei e continuo estudando muito sobre o tema para poder aplicá-lo no mundo corporativo. Passei por mestrado e doutorado, porque é preciso ter conhecimentos científicos, psicológicos e conhecimentos aprofundados sobre o comportamento humano. E quais são as formas de começarmos a desenvolver um estudo mais avançado no assunto e, consequentemente, pessoas mais desenvolvidas? Ainda não existem muitas opções de cursos no Brasil e o que existe ainda é bastante incipiente. Acredito que as pessoas precisam se interessar de verdade pelo assunto para buscar uma especialização aprofundada e correta. Mas o interesse vem crescendo bastante, o que é muito bom, mas ao mesmo tempo o crescimento de demanda requer um número maior de profissionais especializados. Eu costumo falar que ainda faço um trabalho hercúleo para conseguir atender a demanda de pessoas que querem conhecer e se especializar no assunto. É um processo longo, mas acredito que aos poucos o Brasil vai conseguir formar profissionais verdadeiramente capacitados em neurociência. E como funcionam os programas de neurociência aplicada nas empresas? No geral são muitos treinamentos. Eu sempre aconselho que o trabalho comece pela área de Recursos Humanos, pois muitas pessoas não conhecem a neurociência. Quando fazemos esse treinamento com o responsável pela área e pelo desenvolvimento corporativo de várias pessoas, esses profissionais começam a ser sensibilizados para o conhecimento. Este processo de capacitação dura de dois a três dias e já dá início a um desenvolvimento pessoal. Mas quero destacar que trabalhamos em diversos níveis, além de treinamentos dinâmicos, também estimulamos a produção de hábitos, especialmente quando falamos de jovens líderes. Por que focar em jovens líderes? Eu não vou ser genérica e falar que a geração Y só tem problemas, até porque isso não é verdade. Mas os jovens, em geral, têm certo problema para se conectarem com o mundo ao redor e enxergar o outro. Isso para jovens líderes representa um grande problema. O perfil de líder requer que enxerguemos o coletivo, esquecendo o ego e buscando um processo de conhecimento pessoal e do próximo. É uma tarefa difícil, mas é muito necessária. Uma pessoa sozinha consegue aplicar os conceitos de neurociência e começarem a conhecer a si próprias? É muito difícil. As pessoas têm dificuldades em conhecer a neurociência e passar pelos primeiros capítulos de um livro, por exemplo, porque o tema é complexo. Acredito que as pessoas que se interessem pelo tema precisam ser guiadas por um mentor que conheça muito bem o tema. É o que eu falei de pessoas preparadas para falar e aplicar o conceito, não adianta estudar 30 horas e achar que já conhece o tema. O assunto é muito mais profundo que isso. Compartilhe! Facebook Twitter LinkedIn WhatsApp
Neurosexismo: o mito de que homens e mulheres têm diferenças no cérebro
Pesquisas que tentam estabelecer distinção entre cérebro masculino e feminino não são conclusivas. O que alimenta esta ideia pode estar mais ligado à cultura No livro “The Gendered Brain” (O gênero do cérebro, em tradução livre), a neurocientista da área cognitiva Gina Rippon cita uma pesquisa que “finalmente” revela uma diferença entre o cérebro da mulher e o do homem. Esse estudo, realizado com 21 homens e 27 mulheres na Universidade da Califórnia em 2005, deu volta ao mundo em anúncios publicitários, jornais, TVs e conferências de liderança corporativa. Cinco anos depois, mais um escândalo tomou conta da mídia, quando a correspondente para assuntos médicos Jennifer Ashton, do canal americano CBS, disse que “os homens tinham seis vezes e meia mais massa cinzenta do que as mulheres”. Logo em seguida, obviamente, surgiram as notícias de que os homens têm mais talento para matemática e mulheres são mais hábeis para multitarefas. Mesmo que, para isso, fosse necessário as mulheres terem um cérebro 50% maior, começaram a aparecer notícias sobre a correlação disso com o QI e a quantidade de massa cinzenta ou branco no cérebro de um e de outro gênero. Neurosexismo A história das pesquisas que buscam as diferenças entre os sexos é repleta de interpretações errôneas e números inconsistentes. Gina Rippon, uma das maiores porta-vozes contra as “más” pesquisas da neurociência sobre a diferença de gêneros, diz que – de tempos em tempos – aparece uma pesquisa ou outra para dar sequência a este ciclo que tenta perpetuar a ideia de que existe diferença entre os sexos. Este tipo de pesquisa, segundo ela, continua sendo feito em diversos laboratórios, mas explodiu mesmo quando apresentaram uma ressonância magnética. No entanto, como diz o livro The Gendered Brain, ainda não existem conclusões exatas sobre estas pesquisas. Os cientistas modernos ainda não encontraram diferenças significativas e definitivas entre o cérebro de homens e mulheres. No cérebro das mulheres, o processamento da linguagem não flui melhor entre os hemisférios, na comparação com o cérebro do homem, conforme sugeriu artigo publicado pela Nature, em 1995. Isso foi negado em estudo posterior, de 2008. O tamanho do cérebro e certas características, como a proporção de substância cinzenta e branca, podem, sim, variar em função do tamanho do corpo. Mas estas são diferenças de grau, não de gênero. Como Rippon notou, elas não são vistas quando comparamos um homem de cabeça pequena com uma mulher de cabeça grande. Isso não está nada relacionado a hobbies e remuneração. Como acabar com o neurosexismo? A mensagem central do livro da neurocientista Rippon é que “um mundo dividido por gênero produz um cérebro de gênero”. O livro reforça a ideia de que, para erradicar o neurosexismo, é preciso eliminar esse tipo de pesquisa. Rippon lembra, no livro, de uma citação de 1895 do psicólogo social Gustave Le Bon, que usou seu “cefalômetro” portátil para declarar que as mulheres “representam as formas mais inferiores da evolução humana”. Em outro exemplo, ela cita o engenheiro do Google James Damore, que escreveu para os colegas na internet, em 2017, que as mulheres não assumem mais cargos de tecnologia e liderança por “causas biológicas”. A busca por provas de inferioridade das mulheres foi parcialmente freada mais recentemente com a ideia de “complementaridade” entre homens e mulheres. Esta linha de pensamento ainda diz que as mulheres não são menos inteligentes do que os homens e, somente, diferentes, o que coincide com ensinamentos bíblicos sobre o papel de cada gênero. Assim, diz-se que o cérebro das mulheres está mais ligado à empatia e à intuição, ao passo que o cérebro masculino seria mais voltados à razão e à ação. Herança cultural Se não existe diferença entre os cérebros de homens e mulheres, então o que explicaria as diferenças de comportamento e interesse de um gênero para outro? Segundo o livro de Rippon, isso é consequência de um mundo dividido em gênero, na cultura do azul-e-rosa, que moldaria o cérebro de meninos e meninas desde cedo. Rippon estruturou seu livro em quatro teorias que explicam esta cultura: as pesquisas históricas sobre diferenças entre os sexos, baseadas em imagens do cérebro; o surgimento da neurociência cognitiva social, as poucas diferenças no cérebro de recém-nascidos e, por fim, ao triste fato de as pessoas acharem que mulheres talentosas são consideradas “trabalhadoras” e homens como “gênios selvagens”. Tudo isso, segundo a neurocientista, pode contribuir para o ciclo de construção do cérebro e expectativas diferenciadas, níveis de autoconfiança e tomada de risco que levam homens e mulheres a diferentes trajetórias de carreira e sucesso. Fonte: www.nature.com/articles/d41586-019-00677-x Compartilhe! Facebook Twitter LinkedIn WhatsApp
Vieses Inconscientes e a Potência da Diversidade nas Organizações.
Por Que é Tão Importante Quebrar Padrões no Ambiente Corporativo? É hora de levar um papo reto, não enviesado: Por que é que conhecer sobre esses vieses inconscientes e trabalhar na superação deles pode ser tão importante, e até revolucionário, no ambiente corporativo? Você sabia que o nosso cérebro tem trilhas preferenciais que influenciam nosso jeito de pensar, de se comportar e até de perceber o mundo. Essas trilhas são moldadas pelo efeito acumulado das experiências de vida de cada um, da cultura em que está inserido e também pelos mecanismos de adaptação evolutiva do cérebro ao longo de milhões de anos. Esses atalhos cerebrais podem ter sido construídos tanto pela repetição quanto por terem dado certo uma vez, com isso, o cérebro transformou em padrão. O fato é que não enxergamos a realidade como ela é, mas temos um jeito próprio, único, exclusivo, mas também enviesado, de ver o mundo. Vieses inconscientes Acredite! Todo mundo tem vieses inconscientes, essas trilhas preferenciais do cérebro, que nos conduzem a comportamentos e pensamentos estereotipados e até preconceituosos. Podem nos levar, por exemplo, a escolher um homem em vez de uma mulher para um posto de liderança simplesmente porque estamos mais acostumados com esse padrão ou a colocar uma pessoa mais parecida com nossa personalidade na equipe ou ainda a rejeitar um candidato porque não gostamos de camisa xadrez. Mas, como esses vieses são inconscientes, não nos damos conta, não conseguimos identificar quais são os nossos. Já parou para pensar quais seriam os seus? Que viés foi esse? Não é um arraso! O nosso cérebro age na maioria do tempo de modo automático, baseados nesses padrões preestabelecidos e não temos consciência de que isso acontece. E por que isso pode ser ruim? Os vieses podem nos levar a decisões, atitudes e soluções que nem sempre são as melhores, mas acontecem porque estamos viciados em enxergar ou agir daquela maneira. Mas quando se pensa em vieses inconscientes não se trata de falar apenas sobre raça, idade, gênero. Há vieses que não são tão óbvios e que, justamente por isso, não são questionados, não há reflexão sobre eles. Um sotaque de uma pessoa, uma peça de roupa, uma voz fina, um jeito de sentar, aparência física, uma maneira de passar a mão na cabeça que podem influenciar nossa decisão inconscientemente. E vieses assim podem levar a erros grotescos em seleções, promoções, na construção de times, no desenvolvimento de projetos e tudo isso pode prejudicar fortemente o desempenho de uma organização. A consciência e o fazer diferente Ter a consciência de que somos guiados por esses vieses não os extingue, mas pode nos fazer refletir: será mesmo esse o melhor caminho? Qual seria uma solução completamente diferente dessa? Estou levando em conta todas as variáveis e informações sem ser tendencioso? Estou realmente enxergando todas as possibilidades ou tomando um posicionamento enviesado, mais fácil, sem ter que pensar? Por que motivos estou escolhendo essa pessoa, ela é realmente a melhor opção para a vaga? Vale a pena ressaltar, no entanto, que questionar um viés dá trabalho. E exige esforço. É sair da zona de conforto, do modo automático, é ter que pensar, refletir, discutir com outras pessoas, admitir sua limitação, tentar ver através do olhar do outro. Mas questionar um viés também é chave para fazer diferente, para transformar, o que é fundamental no ambiente corporativo atual. É o tão aclamado “pensar fora da caixa”, é ver por outro ângulo, é fomentar a inovação! Dá pra se livrar dos vieses? Na verdade, não vem ao caso se livrar deles. Até porque os atalhos cerebrais que proporcionam os vieses são mecanismos para o bom funcionamento do cérebro, para que ele tenha velocidade de ação, para que ele consiga dar conta da imensa gama de coisas que coordena. Mas gerenciar alguns vieses que identificamos como prejudiciais e nos colocar em alerta à existência deles já possibilita compreender que uma “visão de fora” muitas vezes pode ajudar a solucionar um problema nosso para o qual não encontrávamos solução. A diversidade e a potência corporativa. Pense só: se cada um de nós, por conta de vieses, tem uma visão de mundo diferente, imagine a potência que essa diferença de olhares não pode gerar na resolução de problemas complexos e na criação de coisas novas. Uma organização hoje não deve apenas ter em conta que cada funcionário é diferente, mas também tirar proveito dessas diferenças, explorando seus talentos, competências e formas de ver o mundo. É enxergar que vieses diferentes podem ser complementares e, sem dúvida, uma grande potência no ambiente corporativo! Voltando ao nosso papo reto – que agora você já sabe que é sempre enviesado – vale muito a pena educar e treinar pessoas sobre vieses inconscientes nas organizações. Quebrar padrões no ambiente corporativo deve ser trilha preferencial e a consciência sobre os vieses pode ser transformada em potência de inovação! Compartilhe! Facebook Twitter LinkedIn WhatsApp